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Anatomia do cabelo

Em 1984, Headington publicou importante trabalho em que descreveu, de forma detalhada, a anatomia do couro cabeludo. Em contraste com o pensamento popular de que o couro cabeludo é formado por milhares de fios que nascem isoladamente, as unidades anatômicas mínimas são formadas por grupos de um a quatro fios, envoltas por um anel de tecido conjuntivo que as protege, com inervação e circulação próprias e também com glândulas sebáceas que dão oleosidade natural ao couro cabeludo. A descoberta permitiu um avanço nas técnicas de transplante e visível melhora nos resultados estéticos.
F.U.E. follicular unit extraction


Temos aproximadamente 100.000 fios no couro cabeludo, dispostos, como vimos, em agrupamentos de um a quatro fios, com predomínio das unidades foliculares de dois fios (em média, 20% contem um fio, 50% dois fios, 25% três fios e 5% quatro fios). Dependendo dessas proporções, que variam de pessoa para pessoa, teremos áreas doadoras mais ou menos densas. As unidades foliculares estão dispostas, normalmente, com uma distância média de 1 mm e a densidade oscila de 70 a 100 UF/cm². Na raça branca, temos em média 2,3 fios/UF (170 a 230 Fios por cm²) e nas raças negra e oriental, nas quais a densidade é menor, estes números caem aproximadamente 25%.
F.U.E. follicular unit extraction


Podemos simplificar dividindo o cabelo numa porção visível, superior, cuja cor é variável (haste), e o bulbo piloso, implantado obliquamente no couro cabeludo. A haste apresenta três camadas concêntricas de cabelos. A medula, com células pouco densas, o córtex, mais espesso, que produz a melanina responsável pela coloração dos cabelos, e a camada mais externa, cujas células se encontram imbricadas como escamas.

F.U.E. follicular unit extraction
Na base do bulbo se alojam os vasos que formam a papila dérmica e, logo acima, a zona matricial, produtora das fibras capilares decorrentes da queratinização das células epiteliais. A papila dérmica tem um papel regulatório do ciclo de crescimento do cabelo. Já as living cells, na zona matricial, apresentam atividade mitótica ativa e formam uma coluna compacta que se estende até a superfície da pele. Acima dessas células que se dividem forma-se uma zona de queratinização a partir das living cells desidratadas e mortas, que
são convertidas numa massa de queratina. Uma matriz rica em cistina se funde com os filamentos de queratina. As glândulas sebáceas e o músculo eretor do pelo completam o sistema. Existem três fases de crescimento capilar. Na fase anágena, que se estende por aproximadamente 3 anos, a matriz mantém atividade mitótica (proliferação) intensa e queratinização. É a fase de crescimento na qual 85-90% dos cabelos se encontram. O cabelo cresce de 0,3 a 0,4 mm por dia (1 cm por mês). Após esse período, a atividade matricial cessa, movendo-se em direção à superfície. Esta fase, conhecida como catágena, dura cerca de 2 a 3 semanas. Durante a fase telógena ocorre enfraquecimento das bandas que ainda mantêm o cabelo aderido ao folículo e este é eliminado entre 2 a 4 meses. Durante esse período, o folículo é inativo e o crescimento cessa. Comumente, essa fase ocorre após o transplante capilar. Por tal razão, não há crescimento significante dos enxertos até o fim dessa fase. Além disso, alguns dos cabelos da área calva entram na fase telógena, devido ao trauma cirúrgico, resultando no que é conhecido como efluvium telógeno (queda dos cabelos presentes na área receptora ou calva). Porém, ao final desse período, as stem cells, células-troncos, localizadas junto à inserção do músculo piloeretor, entram em atividade, começam a se proliferar e se deslocam em direção à papila dérmica. Todo o ciclo se reinicia.



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