Consulta

Dr. Ricardo Lemos
Depois de estabelecida a causa da perda de cabelo, o médico capacitado poderá propor o melhor tratamento para cada pessoa, adequando suas expectativas com o que a medicina oferece. O planejamento leva em conta fatores como densidade de fios da área doadora, coloração, textura e forma do cabelo, evolução e estado da área calva, histórico familiar, idade do paciente, cirurgias de transplante capilar anteriores, assim como o estilo do penteado.

O bom senso e a experiência do profissional complementam a decisão cirúrgica. Existem decisões sobre a técnica, necessidade de uma segunda cirurgia e resultados finais que devem ser discutidos abertamente entre médico e paciente.

Quando o suprimento sanguíneo e a elasticidade do tecido estão intactos, ou seja, nunca foi feito nenhum outro tipo de transplante capilar no local, os enxertos podem ser colocados facilmente, mais próximos e de forma mais segura, garantindo um prognóstico estético favorável ao paciente. Em áreas já operadas anteriormente, há cicatrizes que podem dificultar um novo procedimento no mesmo local, já que a elasticidade e o suprimento sanguíneo nessas áreas estão alterados.

Com o crescente aprimoramento técnico, aliado as pesquisas clínicas, o número de transplantes de alta densidade vem aumentando nos últimos anos. Sabendo que a média de unidades foliculares/cm2, na raça branca, oscila de 70 a 100 UFs/cm2, e que 50% desse número dá aparência de alta densidade e naturalidade, podemos considerar cirurgias com densidades de 35 a 50 UFs/cm2 como a nossa meta.  

A limitação é a área doadora e a quantidade de fios produzidos. Por exemplo, se estamos tratando uma área calva de 120 cm² e retiramos uma faixa de 30 cm² (ex: 20 x 1,5 cm), com média de 100 UFs/cm², teremos um total de 3000 UFs e, portanto, nunca atingiremos 35/40 UFs/cm² de densidade na área a ser tratada. Precisamos distribuir mais os enxertos para cobrir a área de 120 cm² e indicar uma segunda sessão no futuro, para aumentar a densidade. Como regra geral, principalmente em calvícies maiores, devemos obter a cobertura dos 2/3 anteriores, com boa densidade e naturalidade, em vez de cobrir toda a área com menor densidade. 

Uma segunda sessão pode acontecer com o objetivo do aumento da densidade e do volume dos cabelos. Outro motivo para uma segunda sessão é a progressão da área de calvície. Mesmo nos casos de alta densidade, obtida na primeira cirurgia, podemos no segundo procedimento intercalar enxertos entre os anteriormente colocados, dando mais volume e naturalidade.

Outro ponto importante, dependendo do padrão da calvície, é a reconstrução da linha anterior de implantação capilar. Além de ser a moldura da face, essa tem características próprias que devem ser artisticamente reproduzidas. Em primeiro lugar, ela não é uma linha abrupta, mas uma zona de transição irregular de 1 a 1,5cm de largura, composta por unidades foliculares mais delicadas, em sua maioria contendo apenas 1 fio e com angulações específicas e diferentes. É uma zona que sempre merece atenção e traz refinamentos quando uma segunda sessão é indicada para a obtenção de resultados naturais.

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Calvície Masculina

Dr. Ricardo Lemos
A calvície masculina (tecnicamente chamada de alopécia androgenética) é o tipo mais comum de perda de cabelo e representa o diagnóstico primário na maioria dos candidatos a um Transplante Capilar. É um inconveniente que afeta, aproximadamente, 20% dos homens na idade de 20 anos, 50% aos 50 anos e 80% aos 80 anos. Diferentemente do que prega a crença popular, a calvície não ocorre por circulação pobre, lavagens frequentes ou uso de chapéus. Ela é uma combinação de hereditariedade, influenciada por múltiplos fatores genéticos, e da ação de um hormônio, a dihidrotestosterona (DHT), sobre as raízes capilares.
Temos uma progressiva e lenta miniaturização do folículo que leva a uma diminuição do comprimento e diâmetro do cabelo. O padrão, a velocidade da queda, o início e o grau da calvície estão relacionados com a hereditariedade, influenciada por múltiplos fatores genéticos, dependentes do nível de DHT circulante. Essa substância é formada na corrente sanguínea por meio da testosterona, mediada pela enzima 5-alfa-redutase, desde o início da puberdade. Os homens da raça branca apresentam uma incidência de calvície quatro vezes maior do que os homens das raças negra e oriental.

Os cabelos que geralmente são afetados pela ação da dihidrotestosterona situam-se nas regiões frontais, topo e coroa. Por isso, as regiões laterais e posteriores do couro cabeludo são chamadas áreas doadoras. Elas são permanentes, não afetadas pela DHT. Inicialmente, os sinais de afinamento dos cabelos são mais frequentes na linha de implantação capilar frontal, havendo um recuo desta, e progressão para os vários tipos e padrões da calvície masculina, como mostra a classificação de Hamilton/Norwood.
Dr. Ricardo Lemos
 
É comum ver os efeitos da calvície androgenética nos jovens, começando no final da puberdade ou no início da segunda década de vida. Quando a perda começa muito cedo, ela pode ser rápida e extensa. Mais comumente, uma perda lenta e progressiva ocorre por 10 a 25 anos. Embora o processo evolua em toda a vida, podemos dizer que, normalmente, a calvície se “estabiliza” em torno dos 45 anos. No entanto, o início pode ocorrer numa pessoa de 50 anos e até mesmo 30% da população masculina calva pode experimentar calvície significante quando alcança os 40 anos.

A perda de cabelos pode ainda ser causada por doenças específicas. Além das causas genéticas, algumas doenças provocam calvície. As mais comuns são dermatite seborreica, doenças da tireoide, infecções graves, dietas rigorosas ou doenças terminais, certas medicações, e outras. Mas, em situações comuns, a queda do cabelo é conhecida e cientificamente analisada.
 
 
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